“FC Porto não é uma equipa que manda”

Esta frase proferida por Jorge Regadas seguida da explicação para a mesma traduz o meu pensamento na íntegra.

Jorge Regadas diz, e passo a citar: “tem jogadores com velocidade, caso do Brahimi e Herrera – só para dar como exemplo – mas o treinador explora muito pouco estas qualidades e isso facilita a tarefa do adversário. Uma equipa treinada, com inteligência, ao fim de 15 a 20 minutos fica logo a saber como joga o FC Porto.”

Somos completamente previsíveis. Falta sempre aquele fator surpresa, aquele remate vindo de onde menos se espera, aliás, rematamos muito pouco e sem remates todos sabemos que os golos não aparecem.

Dou um exemplo. Se Lopetegui fosse o treinador do FC Porto no último ano de Vítor Pereira, aquele lance do Kelvin dificilmente apareceria. Lopetegui privilegia a posse acima de tudo e o remate apenas e só quando existem condições mais que favoráveis para o fazer. Ora aquele lance não era de golo certo, portanto dificilmente aconteceria com JL.

Somos previsíveis também nos lances de bola parada. Podemos ter 1000 cantos num jogo, mas o aproveitamento deles quase nunca passa dos 0% e todos sabemos como é importante esse aproveitamento no futebol moderno.

De que serve ter todos os jogos posses de bola acima dos 60% se não criamos perigo por aí além? Estivemos 20 jogos sempre a ganhar no Dragão? É verdade, somos fortes no nosso estádio, mas qual é o adepto que não sente que jogo após jogo andamos sempre com o coração na boca à espera que o golo apareça? E nos jogos fora? Porque somos tão permeáveis?

Fácil, com campos de menores dimensões, o nosso futebol muito centralizado torna-se ainda mais difícil de aplicar. Os adversários povoam bem o meio campo e como nós jogamos sem velocidade, sem grandes rasgos no ataque, fica fácil de sermos anulados.

Dois anos aqui e com planteis muito fortes, já era tempo suficiente para Lopetegui conseguir perceber o que fazer, mas o homem é teimoso como tudo.

Reconheço-lhe qualidades, mas realmente parece-me que caso venhamos a conquistar o título desta época é mais pela qualidade que temos na equipa do que por mérito dele.

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