Ontem foi um dia negro, ao nível dos piores momentos desportivos do nosso clube.

Tínhamos tudo para triunfar. Jogávamos em casa, onde já não perdíamos há quase um ano, bastava-nos um empate contra uma equipa que em teoria seria mais fraca que a nossa. Tudo estava conjugado para uma grande noite europeia.

Mas não foi isso que aconteceu. O que aconteceu foi um desastre. Esqueceram-se de dizer aos nossos jogadores que tínhamos de entrar em campo, que tínhamos de lutar pelo apuramento, por mais fácil que estivesse de atingir.

Esqueceram-se de dizer a Lopetegui, que hoje por hoje, André André é o ÚNICO motor da equipa. Que não jogamos sem ele em campo.

Esqueceram-se de dizer a Lopetegui que mudar toda a defesa, como ele o fez ontem só com uma substituição, a meio do jogo nunca trás bons resultados.

Esqueceram-se de dizer a esta cambada de mercenários que temos atualmente que o FC Porto é um clube que desbravou o seu caminho de dentes cerrados, a comer a relva, a ter de ser mais forte que os outros para conseguir triunfar. Foi preciso muito suor, lágrimas e se calhar algum sangue para conquistarmos o lugar que temos de momento.

Ontem talvez tenha sido a gota de água. Como é possível Imbulla jogar? Como é possível insistir num Brahimi que todos sabemos que está com a cabeça longe? Como é possível substituir Maxi Pereira ao intervalo e mudando com isso todo o setor defensivo? Como é possível não haver plano B? Como é possível nunca termos aproveitamento nos lances de bola parada?

Como é possível a SAD e o seu Presidente verem isto tudo e nada fazerem?

Onde anda Pinto da Costa? Cansado? Sem forças?

Talvez. Mas se for esse o caso que dê a vez a outros. Não aos abutres que por lá circundam, mas sim a quem goste e sinta o clube como nós, adeptos sentimos.

Neste momento o nosso clube só (sobre)vive à custa da Doyen. É isto que querem?

Ser reféns de um fundo de investimentos? Perdermos a identidade que tanto nos custou a ganhar? É isso que querem para o clube?

Eu não seguramente.

Hoje perguntavam-me se tinha ficado triste com o resultado de ontem. Eu respondi que não. Triste fico quando vejo o meu clube a jogar, a tudo fazer para vencer  e a não conseguir.

Ontem fiquei revoltado. Revoltado porque nada fizemos para vencer. Andamos a passear no relvado, com exceção de um jogador (André André) todos eles naufragaram no mar de equívocos do seu timoneiro.

Jogos como o de ontem deixam-me fora de mim. Porque já fui atleta (não de futebol), já andei em competições, e nunca, repito, nunca baixei os braços. Nunca dei menos que o máximo. Tive dias maus, mas sempre a lutar por um bom resultado. E é isso que quero no meu clube. Quero garra, quero suor. Quero esforço. E isso meus amigos, não vejo há algum tempo.

E agora como será o após? Será mais do mesmo? Vamos ler nos jornais que o Presidente foi assistir ao treino? Vamos ler que Lopetegui esteve mais de meia hora à conversa com o plantel?

Ou será que vão começar a rolar cabeças? Que começará a surgir finalmente uma oposição credível aos que por lá andam?

Continuaremos reféns dos fundos de investimento porque estamos falidos? Ou assumiremos que temos de dar um passo atrás para dar dois em frente?

Gostava imenso de ver surgir uma vaga de fundo, de portistas que por lá passaram e sentem o clube como ninguém, aliados a pessoas, portistas de alma e coração que tenham a capacidade de gerir um clube como o nosso.

Gostava de ver um diretor do meu clube a ficar revoltado com as derrotas e não a trocar sms impávido e sereno aquando de um golo sofrido.

Só quero que o meu(nosso) clube volte a ser um clube guerreiro e deixe de ser o clube burguês em que nos tornamos.

 

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