Ontem em Guimarães provavelmente terá sido o canto do cisne em relação a toda e qualquer hipótese de conquista do título nacional esta época.

Temos de nos mentalizar. Iremos estar pelo 3º ano consecutivo a ver outros a vencê-lo, com a agravante que corremos o sério risco de nem o apuramento direto para a próxima edição da Liga dos Campeões conseguirmos.

Sobre o jogo pouco ou nada me apraz dizer. Perdemos, não jogamos como equipa, pouco ou nada fizemos para dar a volta aos acontecimentos. Curiosamente, este fim de semana todos os candidatos ao título começaram os seus jogos a perder, mas somente nós não fomos capazes de dar a volta ao marcador (se bem que os que equipam de verde permitiram depois a igualdade). É uma questão de crença, e isso é coisa que não temos nos tempos que correm.

Mas não é sobre isto que quero escrever. O que quero é salientar dois acontecimentos que se passaram esta jornada, e em ambos os casos, condenáveis.

Na passada sexta feira assistimos ao ridículo de um presidente que perdeu toda e qualquer razão pela maneira como discordou da equipa de arbitragem por um lance em que o único culpado foi o seu guarda redes, que sabe-se lá porquê, decidiu abordar o lance de uma forma incorreta, abalroando por completo o avançado contrário cometendo grande penalidade e como consequência levando o cartão vermelho.

Este “ataque” do presidente do Sporting fez-me lembrar há uns anos atrás André Villas Boas em Guimarães, que a quente também decidiu partir para a estupidez, tendo no entanto o discernimento e a humildade de passado um dia vir fazer “mea culpa” acerca da sua atitude. Este, passados quase três dias ainda não o fez. É tudo uma questão de formação, e enquanto AVB tem-na, a este personagem falta-a, e muito. Podemos fazer ruído, falar contra o “sistema” (até acho bem que o faça), mas existe um limite, e esse, na passada sexta foi ultrapassado e de que maneira. Mais, gostava de ter visto aquela energia toda na passada semana quando o homem do apito marca uma grande penalidade inexistente a favor do seu clube, perdoa a expulsão a João Mário e quiçá a Slimani permitindo uma reviravolta que provavelmente nunca teria acontecido.

Quando entramos numa cruzada pela justiça, temos de ter coerência. Hipocrisia não Sr. Bruninho.

Do lado oposto temos mais uma vez uma situação com o nosso clube. Ontem, em Guimarães vemos uma grande penalidade ser “escamoteada” por mão do defesa vimaranense após remate de Martins Indi. Razões portanto para não nos calarmos e darmos a mostrar a nossa indignação. Só que Lopetegui já não mora aqui, portanto o silêncio ensurdecedor da SAD ainda mais se faz notar. Este executivo está gasto, está podre e não pensem que umas meras palavras no Dragões Diário de quando em vez resolvem a situação. Nem é pela situação de ontem especificamente, é mais por um acumular de situações em que ficamos SEMPRE calados.

Era necessário aparecer uma alternativa presidencial. Será quase impossível destronar PdC, mas pelo menos a massa adepta tinha a oportunidade de lhe mostrar um cartão amarelo. Se existem rabos de palha que façam com que o nosso Presidente tenha de estar calado, e se ele gosta assim tanto do clube, que saia para que quem venha possa falar, para não sermos “comidos” como temos sido.

Se essa alternativa credível surgisse, com toda a certeza ficaria espantada com a votação que teria, pois acredito que muitos sócios estão descontentes com este entreposto de jogadores em que nos tornamos e sem capacidade de retaliação quando surgem as injustiças. Seria mesmo importante aparecer alguém que desse voz a esta revolta.

Finalizando, penso que estas duas situações atingem extremos opostos. Nem devemos cair no ridículo do exagero, nem devemos assobiar para o lado como se não fosse nada connosco. E se em relação à primeira, pouco ou nada me apoquenta, a segunda deixa-me fora de mim. Estou farto, farto, farto!

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