Liderança mais (demasiado?) longe

Para quem ainda tinha esperanças, ontem foi a estocada final nas mesmas.

Derrota em Braga, ficamos a seis pontos do líder, a nove jornadas do fim, parece-me que é preciso mesmo ser muito crente para ainda acreditar numa reviravolta.

Quando a passada semana me diziam que o resultado ideal para o derby da segunda circular era o empate, eu sempre afirmei que o Porto não chegava lá independentemente do resultado desse jogo. Basta ver como jogam, como andam todos rebentados física e psicologicamente para suportar essa minha teoria.

Ontem até entramos bem, podíamos ter marcado e ido para o intervalo em vantagem. Não o conseguimos e depois nos segundos 45′ veio o descalabro que se começou a adivinhar ainda antes com a expulsão de Peseiro.

Sim, porque não me querendo desculpar com as arbitragens, o que eu vi ontem foi a chamada “arbitragem inteligente”. Não foi preciso marcar alguma grande penalidade contra nós, ou escamotear-nos uma (embora tenha dúvidas num lance com o Suk). Foi o cortar lances a meio campo, foi o perdoar cartões aos arsenalistas e a nós distribuir a torto e a direito, foi o lance que originou a expulsão do Peseiro que começa com um abalroamento feito a Danilo Pereira e que só não terminou em golo porque o avançado bracarense atirou ao poste.

E o que dizer da expulsão do nosso treinador? Saiu da sua área de jurisdição? Saiu. Mas JJ com este mesmo árbitro, neste mesmo campeonato chegou a estar bem dentro de campo e nada lhe aconteceu. E quantos fazem isso? Será que temos critérios diferentes para clubes diferentes?

Que raio de pergunta fui fazer. É claro que sim. Desculpem, foi estupidez minha.

Carlos Xistra veio com a lição bem estudada. Aliás, se analisarmos o que se passou este fim de semana nos dois jogos chave veremos que a lição vinha muito bem “encomendada”. Uns podem pôr em causa a integridade física do adversário que escapam impunes, outros levam cartões só por respirar.

De todas as formas, não foi só por isso que perdemos. Aliás, esta época não podemos refugiar-mo-nos nas arbitragens porque, ao contrário da última época, não é por elas que estamos onde estamos.

Como podemos ambicionar a alguma coisa se apenas temos dois centrais e de qualidade duvidosa? Como podemos ambicionar a mais se não temos alternativa a Maxi Pereira na direita (poderíamos ter Vítor Garcia, mas pouco apostam no miúdo)? E na frente? Como é possível estarmos tão mal? Suk é lutador, mas não é jogador para ser titular num clube como o nosso. Aboubakar muito prometeu, mas a montanha pariu um rato. Marega, bem Marega nem sei bem o que é.

Onde anda um jogador capaz de pautar o jogo? Onde anda um extremo na verdadeira acessão da palavra?

Tudo foi mal planeado. Levamos uma sangria de uma época para outra e não soubemos acautelar (se calhar os bons jogadores não davam muito dinheiro em comissões para os abutres), e agora iremos levar com pelo menos mais quatro anos de má gestão, porque irá tudo continuar igual, a maior parte dos adeptos continua a venerar o líder, porque ele já foi bom e lhe devemos muito, por isso podemos continuar a “ser comidos” que não faz mal.

O que interessa é venerar o “Rei”, mesmo que esse Rei vá nu.

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