Ao contrário de muitos eu não me tornei portista por influência do meu pai. Bem pelo contrário. Ele é adepto do Benfica, embora durante algum tempo me tenha convencido que era adepto do Boavista (clube do qual ele é realmente simpatizante), e só quando comecei a vibrar com as vitórias do Porto, principalmente contra o clube das papoilas é que comecei a ver que ele não achava piada nenhuma.

Fosse ele daqueles pais que “obrigam” os filhos a serem do clube deles, e tal era a influência que ele tinha sobre mim (ou não fosse meu pai e eu adorá-lo), muito provavelmente teria ido por maus caminhos.

Portanto, e felizmente, acabei por me tornar portista graças a um misto de influências, como são, os colegas de escola / meu avô (portista doente) / facto de ser o clube que vencedor na altura.

Por esse facto, passei a minha infância a ouvir o meu pai em defesa da sua dama, a dizer coisas, tais como: “O Benfica já foi campeão europeu duas vezes, para vocês terem tantos títulos como nós, têm de ganhar sempre até 2000 e qualquer coisa, nós já fizemos isto e já fizemos aquilo, etc, etc, etc.”

No entanto, passados estes anos (tenho 40) já vi o meu clube a ser campeão europeu duas vezes (e uma delas num formato bem mais difícil de vencer que as de antigamente), a vencer a Taça Uefa, a Liga Europa, a Supertaça Europeia, a ser Campeão do Mundo duas vezes e a cereja no topo do bolo foi, quando em 2011 ultrapassamos o total de títulos conquistados pelo nosso rival (que entretanto já nos voltou a ultrapassar).

Serve isto para dizer que tive a felicidade de assistir a tudo isto ao vivo e a cores, coisa que qualquer adepto do outro clube, que seja da minha geração, não teve a oportunidade de assistir.

Toda esta minha introdução serve para comentar um fenómeno que tenho assistido de nossa parte nas redes sociais:

A BENFIQUIZAÇÃO!

Ele é um partilhar os campeonatos ganhos após o 25 de abril, ele é o partilhar que temos mais títulos internacionais que os outros todos juntos, é um partilhar de vídeos carregados de moral para os nossos adeptos, etc, etc, etc.

Estamos cada vez mais agarrados ao passado e isso preocupa-me. Começamos a não ter nada a que nos agarrarmos e isso leva-nos a fazer como os outros o fizeram anteriormente, a recorrerem do passado.

Eu não me quero benfiquizar. Não quero viver de memórias (que a grande maioria deles nem era nascido), não quero ver as nossas glórias só a passar no canal história.

Quero o regresso aos títulos, o regresso ao clube regional (sim, somos um clube regional e temos um orgulho imenso nisso), porque isso é que é o nosso ADN.

Nós não jogamos finais para desfrutar, jogamos para ganhar. Nós não festejamos derrotas como se de grandes vitórias se tratassem. Nós ficamos lixados com F bem maiúsculo quando perdemos, seja contra o Tondela, seja contra o Bayern Munique. Nós somos assim. Nós não temos de viver do passado. Nós temos de conquistar o presente, e acima de tudo o futuro.

Não temos de andar a viver de memórias, temos é de viver de conquistas. Vamos mostrar a quem dirige o nosso clube que é isso que queremos. Vamos mostrar aos nossos jogadores que têm de comer a relva se necessário for, e que se relaxarem terão se sofrer as respetivas consequências.

Como? Dia 17 temos uma oportunidade de ouro e em relação aos jogadores temos o que resta do campeonato para que eles sintam o que é representar o FC Porto. Temos de voltar a ter a nossa principal claque isenta e livre de se manifestar deixando de vez as amarras da Direção, ou todo e qualquer jogo de interesses que possa existir.

Eu acredito que isso é possível. Benfiquizar é que nunca!

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