Ricardo Quaresma é um jogador que faz despertar sentimentos ambíguos nas pessoas.

Dono de uma personalidade forte, birrenta por vezes, faz com que os adeptos ou o “amem” ou “odeiem”.

No meu caso confesso que ando numa montanha russa entre os dois sentimentos desde que vestiu pela 1ª vez a nossa camisola.

Do entusiasmo inicial aquando da sua chegada envolvido no negócio Deco, deu-se o desalento quando num jogo da Taça de Portugal (se não estou em erro), e já numa fase em que tudo fazia para sair do clube, marcou e atirou com a nossa camisola ao chão.

Nunca lhe perdoei tal ato, e ainda hoje tenho esse travo amargo em relação a ele.

Não foi portanto de espantar que, quando regressou não vi tal regresso com bons olhos.

E nesse seu regresso, esteve igual a si próprio. Ora se mostrava muito mais disponível em campo para ajudar a equipa, ora amuava e tinha atitudes verdadeiramente infantis quando era substituído (sim ele, tal como Josué demorou a tirar as caneleiras e retardou a sua substituição quando o Porto estava a perder, com a agravante que ao contrário de Josué ele estava a representar o nosso clube).

No entanto, e pese embora tudo isso, admito que me custou vê-lo partir novamente. Senti que foi “empurrado” e eu não gosto de ver jogadores que amam o nosso clube, e ainda por cima com a qualidade dele a serem “despachados” para outras paragens.

Recentemente vi uma entrevista dada por ele à SIC e ainda mais me convenci do erro que foi tê-lo vendido.

Não sei se foi ele que deu a equipa titular ao JJ nas vésperas do jogo na Luz, não sei se faz mau balneário. O que sei é que, assim como consegue despertar em mim sentimentos antagónicos, também o deve fazer aos seus colegas de equipa, treinadores, etc.

Mas Quaresma é assim, é preciso saber entendê-lo, e quando assim é, quando vemos um treinador que o consegue, aí vemos o melhor Quaresma, tal como temos visto nesta fase de preparação para o Europeu.

Não sei se irá fazer um bom Europeu, o que sei é que o tenho visto com uma alegria em campo como há muito não via, e quando assim é, torna-se num talento que não encontra muito paralelo no mundo do futebol.

Tivesse ele outro tipo de personalidade e certamente teria sido Bola de Ouro FIFA algumas vezes.

De todas as formas ainda vai a tempo de se redimir de alguns erros do passado, e confesso que, neste momento adoraria voltar a vê-lo com o nosso brasão ao peito. Não só pelo que o tenho visto fazer, mas porque acho que o nosso clube não agiu bem com ele desta vez.

P.S.: Quando comecei a escrever este post, confesso que era apenas com o intuito de dizer bem do “cigano”, mas não consigo evitar este duplo sentimento em relação a ele.

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