Terminou em glória a nossa epopeia por terras gaulesas. Portugal é CAMPEÃO EUROPEU!

O dia prometia vir a ser de glória, depois das medalhas de ouro de Sara Moreira, Patrícia Mamona e da equipa feminia da meia maratona nos Europeus de atletismo, depois do bronze de Jéssica Augusto e de Tsanko Arnaudov nos mesmos campeonatos. Depois do 2º lugar do ciclista Rui Costa naquela que era a etapa rainha da Volta a França. Tudo estava propício a um final de dia épico.

E quando no inicio de jogo Payet entrou para “arrumar” com Cristiano Ronaldo, forçando-o a sair lesionado (Didier Deschamps descobriu como parar o nosso craque, só que fê-lo da forma mais porca e imunda possível), poderia pensar-se que as nossas esperanças acabariam por ali.

No meu caso em particular ainda pior fiquei já que a NOS, numa demonstração cabal de toda a sua qualidade (ou falta dela) teve uma avaria na minha zona, o que me fez não ver a primeira parte a partir dos 20 minutos e obrigando a ir para outro lado ver a segunda. Se já não ando nada contente com o serviço, ontem pior fiquei, mas adiante.

Só que a lesão de CR7 teve um efeito aglutinador na equipa, porque se existe uma qualidade que sobressai neste grupo de trabalho é a sua união. Fizeram das fraquezas forças, lutaram e resistiram aos ataques da seleção anfitriã, aguentaram a uma arbitragem tendenciosa que tudo tentou para nos tirar o “caneco”.

Conseguimos vencer com um golo já na segunda parte do prolongamento com um dos marcadores mais improváveis de todos (Éder, desde já te peço desculpa por te ter subestimado) e deixar todo um país, que tanto tem sofrido nas mãos dos seus governantes numa onda de felicidade que há muito merecíamos.

Fernando Santos tinha dito que só regressaria dia 11 de julho e em glória, e o certo é que cumpriu. Se havia treinador que merecia este título era ele. Conseguiu unir uma equipa que havia sido deixada em cacos pelo seu antecessor, chamou alguns “proscritos”, aproveitou uma fornada de talento vinda dos sub 21 e conseguiu formar um grupo indestrutível. Pode não ter jogado bonito, mas foi eficaz e tal como ele disse, conseguiu pôr a equipa com alma até Almeida.

Sempre vivi a seleção de forma muito intensa. É o clube de todos nós, ou pelo menos deveria ser. Somos portistas, benfiquistas, sportinguistas, bracarenses, vimaranenses, etc, etc, mas acima de tudo somos portugueses, e eu sou um orgulhoso português.

Em 2004 fui assistir à final no estádio do Braga no ecrã gigante e saí de lá em lágrimas, portanto para mim ontem foi um dia de alegria extrema, um sentimento indescritível.

Como portista e português já posso dizer que assisti em vida a títulos europeus dos meus dois clubes (FC Porto e Portugal) o que me deixa extremamente feliz.

Uma palavra final para os nossos emigrantes. Pessoas que em dois momentos distintos da nossa história se viram obrigadas a sair do seu país para procurar a sorte noutras paragens, pessoas que sentem e vivem estas coisas com ainda maior intensidade porque estão “longe” da sua zona de conforto.

Estiveram excecionais, sempre a apoiarem, sempre presentes à porta do centro de estágio, sempre presentes no estádio (ontem conseguiram abafar os adeptos da casa em muitos momentos). Foram inexcedíveis e se havia pessoas que mereciam este título eles mereceram-no certamente.

Foi um dia de Portugal, um 10 de julho com sabor a 10 de junho que ficará marcado para sempre como uma das datas mais emblemáticas do desporto português.

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