Por norma não tenho escrito sobre os jogos do FC Porto esta época. Não por qualquer birra, mas porque realmente o tempo é muito curto para isso, para além da vontade também não ser muita confesso.

Hoje vou abrir uma exceção porque o que aconteceu ontem evidenciou uma coisa, que até eu andava a tentar acreditar não ser totalmente verdade.

Já aqui escrevi que sempre gostei do nosso atual treinador. Sempre o achei uma pessoa educada, ponderada, e, acima de tudo, um líder de balneário.

Quando o anunciaram, mesmo não sendo o treinador que eu escolheria aceitei por ser uma pessoa que conhece os cantos à casa e que, como jogador sempre me deu a entender ser um bom “condutor de homens”.

Ao longo destas jornadas tenho ficado com a sensação que Nuno até consegue montar bem as equipas, só que depois, ao longo do jogo nunca consegue fazer uma leitura correta do jogo.

E ontem foi mais do mesmo. Entramos muito bem, com muita garra, atropelamos uma equipa que é líder do campeonato, mas roça no meu entender a vulgaridade. Não conseguimos mais golos, por falta do tão bem denominado pelo saudoso Bobby Robson, “killer instinct” .

Vi garra, vi motivação, vi futebol, talvez do melhor que já vi este ano do nosso clube. Vi tudo isso até ao momento em que Nuno decide mexer na equipa, tirando um extremo que até estava a dar água pela barba a Eliseu, metendo um médio.

Não é tanto pela substituição em si, é mais pela mensagem que passa ao grupo. Quando estamos por cima de uma equipa, que à exceção de um remate de fora de área e uma rosca que por capricho chegou à nossa baliza, e se troca um atacante por um médio dá a entender que temos de ter cuidado e deixar de nos preocuparmos com a procura do segundo golo. Temos é de começar a fechar para manter o 1-0.

Para piorar a coisa, ainda decide trocar Óliver por Layun, fazendo o mexicano, que por mais polivalente que seja jogar numa posição que não é de todo a “sua praia”. Além de que Óliver estava a fazer um grande jogo, e se estava cansado, não se notava.

E foi então que veio a cereja no topo do bolo. Nuno saca de mais uma das suas péssimas leituras de jogo e faz entrar Herrera tirando Diogo Jota. Jota foi um quebra cabeças constante para os defesas adversários. Com ele na frente estávamos a evitar a subida dos mesmos, além de que todos sabemos (menos o Nuno) que Herrera em grande forma é uma jogador esforçado mas vulgar, agora fora de forma como se tem visto (menos o Nuno) que está, torna-se um jogador que nem nos nossos distritais tinha lugar.

Porque não entrou Brahimi para o lugar de Corona? Porque não entrou Depoitre para o lugar de Jota? Porque saiu Óliver? São perguntas para as quais não encontro resposta por mais que pense.

Voltando à última substituição. Herrera não é, nem nunca foi jogador para o FC Porto, muito menos para ser nosso capitão, e não tem de momento condições para jogar pelo nosso clube. Fazer entrar um jogador que está fora de forma, que tem sido constantemente assobiado pela massa “assobiativa”, numa altura em que se procurava cabeça fria e calma foi de todo irresponsável e estúpido.

O mexicano deve andar a jogar sobre brasas, a bola “queima” nos pés, e fruto disso, aconteceu o que aconteceu nos descontos. Numa altura em que se exigia segurar a bola, Herrera tenta chutá-la contra um adversário virado para a linha de fundo. Se fosse para a linha lateral, ainda poderia compreender, agora para a linha de fundo é completamente estúpido. Podia ter corrido bem? Podia se o jogador adversário fosse burro. Só que Eliseu viu perfeitamente o que o mexicano ia fazer e esquivou-se bem conquistando com isso um pontapé de canto caído do céu.

O resto, bem, vocês sabem o resto. Perdemos dois pontos injustamente, perante uma equipa, que à semelhança da última época não mostrou capacidade para ombrear de igual para igual contra equipas que não lhes mostrem demasiado respeito, mas que tem tido os deuses da fortuna do seu lado. Foi assim em Alvalade a época passada e foi assim ontem. Todos os outros jogos contra os seus adversários diretos, eles foram derrotados e ontem só não o foram porque a sorte não quis nada connosco e porque temos um treinador que ainda não percebeu que está a treinar um grande.

Temos um treinador de equipa pequena, é um facto. Agora resta acreditar que a sorte abandone de vez o nosso adversário de ontem e que a exibição do FC Porto ontem (até Nuno mexer na equipa), seja para repetir daqui para a frente, e pode ser que consigamos ainda ser felizes.

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